Dear White People

Um dos meus mais atuais vícios são as séries da Netflix – pobre dos meus livros. A última série que assisti foi a polêmica (já explico) Dear White People, lançada pouco depois da sensação 13 Reasons Why, teve grande impacto em alguns nichos específicos, mas não atraiu o grande público com a série que fala sobre o sofrimento da Hannah Baker, apesar de ser um assunto tão importante quanto: Racismo.

A série é baseada no filme de mesmo nome lançado em 2014, muito elogiado no Festival de Sundance daquele ano.

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Cena do filme de 2014. Alguns dos atores são os mesmos.

Do que se trata a série:

A serie é um drama satírico que aborda a vida de alguns afro-americanos na Universidade de Whinchester, onde a maioria dos alunos é branca. Podemos colocar a Sam White como a protagonista( ainda que cada episódio tenha um personagem central), já que ela é a locutora e criadora do programa de rádio Dear White People, que incomoda muitos alunos da universidade, fazendo com que um evento seja o estopim da série, dando sequência a outras situações.

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Mas qual seria esse estopim? Alunos da universidade, precisamente membros de uma revista humorística, se sentindo ofendidos com a programa de rádio, resolvem organizar  uma festa chamada Dear Black People, onde relembram a tradição BlackFace.

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Para quem não sabe, BlackFace surgiu nos EUA no século XIX quando brancos pintavam seus rostos de preto para interpretar negros em peças teatrais, mas de forma estereotipada, sempre colocando o negro como inferior, vagabundo, bêbado, malandro, entre outras características não muito legais. Ou seja, não tem graça.

A partir daí, ocorre uma mobilização dos alunos afro-americanos denunciando o racismo na universidade, ainda que um racismo muitas vezes velado.

Ao todo esta temporada (não sei se haverá outra) é composta de 10 episódios com até 30 minutos cada, sempre tendo um personagem como protagonista em um episódio, por isso, muitas mais de um episódio abordam a mesma passagem, mas variando o olhar de quem está participando (não sei s eme fiz entender). Assim, nós passamos a entender cada vez mais o motivo de cada uma daquelas pessoas se comportar daquela forma.

Crítica Social

“Um sistema que exige perfeição em troca de igualdade, é insustentável e injusto…muito injusto”

Essa é uma frase da série, mostrando que para um negro ser considerado um igual naquela universidade ele tem que ser perfeito, então não há igualdade, na verdade se trata de uma injustiça. Talvez essa seja a frase/reflexão seja a minha favorita, entre tantas outras também muito boas.

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Troy, filho do reitor, que exige que seu filho seja perfeito para que não sofra com o racismo.

Ainda a realidade estadunidense seja diferente da brasileira, não podemos nos enganar achando que racismo não existe no Brasil. Sim, ele existiu, ele existe. A luta pelo direitos civis nos Estados Unidos vem desde a década de 1960, porque o racismo era institucionalizado, com leis que proibiam negros e brancos de frequentarem os mesmo locais (na verdade o branco podia, se quisesse, o negro é que não). No Brasil esse tipo de movimento vem ocorrendo a menos de duas décadas, pois esse racismo sempre foi mais velado……. não se engane,……o fato de ser velado não significa que não exista. A série nos faz refletir sobre nossas próprias ações, as vezes, por brincadeiras ou expressões do cotidiano, estamos perpetuando o racismo. A naturalização do racismo.

Ao mesmo tempo, tem uma outra coisa abordada na série que não vejo muita gente comentando – por favor, não me entendam mal – que é o esterótipo daqueles que fazem parte do movimento de afro-americano na universidade. Como assim? Por exemplo, se espera que eles valorizem a cultura negra sempre… vou dar um exemplo: Em uma cena, Sam White está andando no campus ouvindo uma musiquinha pop no fone de ouvido, até que avista um grupo de alunos e muda a música para o hip hop. Se espera que ela, como uma das líderes, valorize todo o tempo a cultura afro. Mas espera, ela também pode gostar de outros gêneros.

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Coco que por alguns é considerada “menos” negra por sempre tentar se encaixar em grupos distintos da universidade. Também sofre ao perceber que os rapazes brancos não têm a intenção de ser apresentada a família como namorada.

Em outra passagem descobrem que Sam está saindo com um rapaz branco e todos ficam chocados. Ao redor, esperavam que ela namorasse um rapaz negro, como ela, especificamente Regie, valorizando os homens de sua cor. Ela mesma chegou a postar um texto que dizia: “Não se apaixone por seu opressor”. Gabe, o “mozão” da Sam, mesmo apoiando suas ações e o movimento, não consegue grande simpatia e aceitação dos demais afro-americanos universitários, iniciando uma tensão no casal.

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Gabe, namorado de Sam.

Boicote a série

Assim que o teaser da série foi lançado teve início uma onda de críticas, todas baseadas em 30 segundo de teaser, já que ninguém tinha de fato visto ainda. Acusaram a série de “racismo inverso”. Bem, vamos falar sobre “racismo inverso”. Esse termo simplesmente não existe. Racismo é racismo não importa que pratique, para quem pratique. Portando, usar “racismo inverso” é errado 😉

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Sim, a forma mais comum que presenciamos o racismo foi a praticada de brancos para negros, mas não é exclusivo combinação.

No vídeo, uma mulher negra que parece ser uma locutora de rádio fala ao microfone uma lista de fantasias de Halloween que são totalmente aceitáveis para pessoas brancas “pirata, enfermeira, qualquer um dos primeiros 43 presidentes americanos…” e o topo da lista de fantasias inaceitáveis “eu“, seguida por inúmeras imagens de homens e mulheres brancos com o rosto pintado para parecerem negros.

Mesmo com esse contexto, muitas pessoas se sentiram ofendidas pelo conteúdo do teaser de Dear White People e começaram a avaliá-lo negativamente em massa. Até o momento, o vídeo tem cerca de 500 mil visualizações e mais de 120 mil negativações. Para fins de comparação, o trailer do filme de Adam Sandler para a Netflix, The Ridiculous 6, tem mais de 7 milhões de visualizações e apenas 6 mil avaliações negativas.

Nos comentários, além de muitos ameaçarem cancelar o serviço por se sentirem ofendidas pelo conteúdo, alguns fazem ofensas preconceituosas direcionadas às “queridas pessoas negras”.

Em resumo, muitas pessoas brancas se sentiram ofendidas por serem tratadas de forma estereotipada …. irônico.

Frase de Sam: “Você não acusa o médico de ter infectado só porque ele diagnosticou seu problema

Repercussão Internacional

Mesmo que no Brasil a série não tenha se tornado febre – algo que também deve ser estudado e analisado -, internacionalmente vem colecionando elogios, inclusive recebeu 100% de aprovação no site de resenhas Rotten Tomatoes. Neste ano, apenas duas séries alcançaram tal posição no site.

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Super vale a pena conferir a série. São poucos episódios e curtinhos, então, dá para ver rapidinho.

Vocês que viram, também gostaram?

Por Rebeca Gonzalez

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