Gastronomia Funcional com a Chef Jaqueline Righetti

O RF conversou com a carioca Chef Jaqueline Righetti sobre a gastronomia funcional, que vem crescendo muito nos últimos anos, principalmente porque as pessoas estão buscando um modo de vida mais saudável e com menos fast food. A Chef nos contou como se interessou por esse tipo de alimentação, além disso, no conta sobre os cursos que dá no Rio de Janeiro, onde ensina que comida funcional não é o mesmo que comida sem gosto ou sem graça.

Não percam no final da entrevista, a Chef deixa uma deliciosa receita de brigadeiro.

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RF: Muita gente não entende muito bem o que é comida funcional. Pode nos explicar mais ou menos o que é?

Chef Jaqueline: Alimentação funcional envolve a utilização de insumos que, comprovadamente e com uso contínuo, trazem benefícios a nossa saúde. Também procuramos substituir ingredientes processados/industrializados por ingredientes naturais. Comida de verdade!

RF: Você fez gastronomia, esse ramo te interessou antes de começar a cursar (e por isso fez o curso) ou na faculdade que teve contato com a gastronomia funcional?

Chef Jaqueline: Foi ao longo da faculdade que comecei a me interessar por gastronomia saudável, sempre fui do junkie food, mas depois que tive algumas noções básicas de nutrição e contato com chefs envolvidos com a causa saudável, comecei a modificar a minha alimentação e consequentemente o meu trabalho.

RF: Essa mudança foi fácil?

Chef Jaqueline: Sim, para mim foi! O que as pessoas tem que entender é que comida saudável não é chata ou sem gosto, você não precisa parar de comer nada ou ficar limitado, basta fazer algumas substituições. Por exemplo, eu continuo amando e comendo hambúrguer, mas ao invés de ir ao fast food, eu faço o meu hambúrguer em casa, compro um bom pão, escolho uma boa peça de carne e peço para moer. Depois é só frigideira e finalizar com algum queijo de boa qualidade (queijo processado não tem gosto de nada).

RF: Minha alimentação é relativamente saudável. Em dado momento da minha vida tentei levar isso mais a sério, mas senti muita dificuldade, principalmente na hora de sair com os amigos. As vezes complicava. Você sentiu isso?

Chef Jaqueline: No início tudo foi mais radical, você descobre uma coisa e quer convencer o planeta terra inteiro que o seu estilo de vida é ótimo. Eu me recusava a comer batata frita no bar e ficava procurando as opções “menos piores”, mas depois eu entendi que as coisas não funcionam com extremismo. Se eu saio com amigos e vou a um bar, eu como tranquilamente uma batatinha ou bolinho frito, não vejo problema porque não faço isto sempre. Aliás, até voltei a dar aulas de confeitaria tradicional, com direito a leite condensado e chantilly. (De vez em quando é bom!)

Chocotone sem glúten e lactose.

Chocotone sem glúten e lactose.

RF: Na sua casa e família todos aderiram?

Chef Jaqueline: Não mesmo! Hahahha. Minha família não come muita besteira do tipo industrializada, mas eles curtem uma comida gordurosa nos finais de semana! Minha mãe está se convencendo só agora, porque o médico pediu uma mudança alimentar por conta do alto índice de açúcar.

RF: Não consigo imaginar minha vida sem chocolate…rs. Tenho sentido uma mudança no comportamento das pessoas. Agora a moda é ser fit e saudável. Acha que essa é uma moda que vai ficar ou passageira?

Chef Jaqueline: Eu também não vivo sem chocolate! Gosto muito mesmo, principalmente os 50% cacau pra cima.
Ser fit é diferente de ser saudável, você pode ser saudável sem ser fit, aliás é o meu caso (preciso emagrecer urgentemente!) Acho que para muitas pessoas será apenas uma moda, mas já vejo um bom movimento de conscientização, as pessoas estão reconhecendo ingredientes, lendo rótulos e cozinhando mais, já é um avanço!

A gastronomia como arte e cultura está sendo reconhecida, o brasileiro está se familiarizando com a culinária nacional e internacional.

Brownie sem lactose e sem glúten.

Brownie sem lactose e sem glúten.

RF: Acha que a falta de tempo é um dos motivos pelos quais muita gente não aderiu 100%?

Chef Jaqueline: Acho que falta de tempo é desculpa. O congelador e o microondas estão aí para auxiliar qualquer “falta de tempo”. Não é a mesma coisa mas quebra um galho. A pessoa pode pegar um domingo e preparar arroz, feijão e carne moída, porcionar e congelar, deixar alguns legumes e folhas na geladeira e sempre terá comida quando chegar do trabalho.

RF: Você comentou sobre emagrecer. A gastronomia funcional ajuda no emagrecimento?

Chef Jaqueline: Ajuda sim, mas é preciso o acompanhamento de um nutricionista. A pessoa precisa aprender a hora correta de comer cada alimento combinando com um estilo de vida saudável (exercícios, dormir bem e etc…) Não adianta comer o hambúrguer feito em casa com bons ingredientes, todos os dias! Rsrsrs

RF: Faz sentido..rs. Você oferece cursos para quem quer aprender algumas receitas funcionais, não é?

Chef Jaqueline: Sim! Muitos celíacos e intolerantes a lactose me pediam receitas sem glúten e lactose, por isso uni o saudável ao gluten&lac free. As aulas são aqui na Tijuca mesmo. Sempre 2 no Atelier da Confeitagem e 1 com temática vegana no Templo Hare Krisnha da Tijuca.

RF: Onde as pessoas podem ver informações e datas sobre os cursos?

Chef Jaqueline: Eu tenho uma página: Chef Jaqueline Righetti onde posto toda a programação de cursos, além de dicas e receitas.

pao sem gluten

Pão sem glúten

RF: Ahhh, sim. Antes que eu me esqueça. Já vi muita gente trocar a farinha de trigo por outras farinhas, além de outros ingredientes. Esses ingredientes alternativos são fáceis de achar? E os preços?

Chef Jaqueline: Sim, são bem fáceis de achar, ainda mais agora com todo este foco em cima do assunto. Em casas de produtos naturais como Casas Pedro, Mundo Verde, NatuDiet e Korin. Os preços são um pouco mais caros do que a farinha de trigo, mas nada surreal. Se a pessoa optar por fazer a mistura de farinhas fica bem mais barato do que comprar já pronta.

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RF: Para finalizar, pode deixar uma receita para as nossas leitoras?

Chef Jaqueline: A minha sogra, Sonia Scavarda, é uma super mestra das comidas saudáveis. Esses dias ela fez um brigadeiro delicioso, achei que era tradicional, mas ela fez com aipim!!! Nem acreditei.

Ingredientes:
300 gr de aipim cozido e amassado
150 ml de leite
200 gr de chocolate 50%
100 gr de açúcar mascavo

Modo de preparo:
Em uma panela derreta o chocolate com o leite e o açúcar. Acrescente o aipim e misture, cozinhe até desgrudar do fundo da panela e esteja em ponto de enrolar (assim como o brigadeiro tradicional)
Faça bolinhas e enrole-as em castanha-do-pará triturada ou granulado de sua preferência.

Garanto que todos vão gostar! 🙂

Por Rebeca Gonzalez

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